De solidão e outros demônios
Hoje, ia caminhando pelo centro da cidade, quando vi um carro bem antigo, acho que era uma belina, toda paramentada, um verdadeiro camelô ambulante, com redes, mantas, etc. Quando vi, parei e comprei um pano de chão. Pronto. Foi só isso para eu ficar me perguntando por que parei ali.
Então, de repente, me veio uma amarga sensação de como a solidão é traiçoeira. Aparece e se manifesta quando menos esperamos. Veja bem, eu até preciso de panos de chão, mas raramente os uso e, definitivamente, não é uma das minhas prioriades adquirir um. Então, porque parei e troquei algumas palavras com aquele homem?
Acho realmente ruim chegar em casa e não ter ninguém me esperando. Talvez, pela primeira vez na vida, me sinta só. Solidão daquelas que dá vontade de ir a um supermercado só para estar perto de gente, sabe? Só para ver se encontra alguém. Mas, calma, ainda não cheguei nesse ponto, rsrsrs.
Enfim, fico pensando agora se o fato de chegar em casa tarde e vir aqui, não seria mais uma forma de tentar aplacar esse imenso vazio… Mas vai passar, eu sei, eu sei…
Perdas e danos
Hoje lembrei do filme Perdas e Danos. Vi há muitos anos, é com a Juliete Binoche, linda, e o Jeremy Irons. Ela é a noiva do filho de um congressista inglês e se apaixona perdidamente por ele, o pai. A partir daí eles entram num ritmo que não conseguem mais esconder o que sentem até que o filho descobre e acontece uma tragédia.
Mas o que lembrei hoje foi uma cena em que o pai fala que a viu, anos depois, num aeroporto. E ele diz que foi estranho porque ela era apenas mais um rosto na multidão. Lembrei disso porque fiquei pensando em algumas pessoas na nossa vida que vêm e vão. Por algumas, fomos tão apaixonados, sentimos tanta ânsia de encontrar e falar e pegar, e de repente, como num passe de mágica, mas geralmente com muito sofrimento, todo esse sentimento desaparece.
Já outras, e essas são as mais perigosas, nós ficamos anos a fio com um sentimento de inquietude do que poderia ter sido. E um medo irresistível de encontrar em algum lugar a sós . . .
Ardor
Um oceano inteiro não basta
para calar no meu peito
este murmúrio
de tantas formas de ardor
tantas formas de estar banida e só
e não há terra ou chuva
que arrefeça
esta porção de mim
que trago cálida
esta porção de mim
que trago presa
este meu coração cheio de vespas
(acho até de já postei uma vez essa poesia da Iracema Macêdo, mas ela sempre me toca)
Jingle bell, jingle bell
Não quero pensar muito nisso senão fico meio tristonha, mas se não me falha a memória esse ano será a primeira vez na vida que terei uma casa enfeitada para o Natal.
Em criança, minha mãe (porque geralmente os pais não se importam com isso), bom, ela também não ligava a mínima e nunca explicou o significado, nunca tivemos presentes, meias, essas coisas. Tudo bem que lareira é uma coisa ultradistante, quase um extraterrestre aqui na minha cidade… Então, nunca tivemos Natal, no sentido da palavra, apesar de morar numa cidade que se chama, opss, Natal.
Quando saí de casa, aí sim, todo ano nos reunimos e fazemos amigo secreto, tomamos vinho e comemos peru e sempre é muito bom. Mas na minha própria casa nunca coloquei um enfeitinho sequer, por motivos vários e ligados ao meu exx.
Agora, enfim, vou colocar guirlanda na porta, comprar panos de prato temáticos, papais noéis de plástico e, quem sabe, até ter uma árvore enfeitada com pisca-piscas…
Tons de lilás

E eu que andava tão ensimesmada, achando que nada de bom acontecia, agora vejo que até um ipê roxo existe ao alcance de minha janela.
Criatividade japonesa

Que tal comprar uma saia que, caso haja a desconfiança de um assalto, você vira a esquina e se transforma em uma máquina de refrigerante? Pois é essa a proposta de uma estilista japonesa, com os crescentes índices de criminalidade no Japão. A pessoa esconde-se por detrás do pano, que é impresso com uma foto de tamanho real de uma máquina de vender refrigerantes.
Mas a criatividade japonesa não fica por ai. Ela desenhou uma versão para crianças, uma mochila que se transforma em um hidrante no estilo japonês, escondendo a criança. Existe também a “bolsa buraco”, que, ao ser desdobrada, parece com uma tampa circular de esgoto. Há também um conjunto de uniformes para estudantes de segundo grau à prova de facadas, feitos com o mesmo material usado no kevlar, e um livro com dicas para mães sobre como vestir até as crianças mais modestas como “pseudo-criminosos”, a fim de assustar aqueles garotos brutos que gostam de intimidar e bater nos mais fracos.

Ao ler a matéria publicada no UOL, no primeiro momento, minha reação foi rir, mas acho que isso é produto de diferenças culturais profundas. Nos EUA, e até mesmo no Brasil, queremos nos proteger dos criminosos, mas os japoneses preferem ludibriar os assaltantes, é menos arriscado do reagir ao um assalto. O problema é descobrir a hora de tirar a fantasia, ou então, o assaltante ter vontade de tomar um refrigerante, rsrsrs.
Bicho de estimação
Uma amiga sugeriu que eu deveria ter um bicho de estimação, já que eles enaltecem a alma, servem de companhia e enchem de alegria qualquer coração solitário. Mas descobri que tenho um bicho mais precioso ainda para cuidar: eu mesma.
Então, sem conseguir tirar do imaginário as instigantes referências dos contos de fada, resolvi ser minha própria fada madrinha.
Agora vou realizar todos os meus desejos e sonhos nunca antes sequer sonhados. Estou toda sorrisos para mim mesma, me mimo e faço todos os gostos. Ainda bem que sou fácil fácil de agradar, qualquer carinho me embobece.
Paris, mon amour
Cidade fetiche para muita gente, Paris guarda o sonho de consumo de todo mundo que adora viajar e é também o destino preferido dos mais apaixonados. Seja mochileiro ou vip, a cidade possui atrativos para os gostos mais secretos.
Esses dias, meus desejos estão voltados para lá, não apenas pela Torre Eifel, Arco do Triunfo, Museu do Louvre ou mesmo para passear às margens do rio Sena. Tudo isso é muito interessante, mas é que lá, passeando por aquelas ruas, está a pessoa mais especial para mim. E, com ele, todo deserto vira um oásis.
Sonhando ao contrário
Ontem tive um sonho que me deixou perturbada o dia inteiro. Foi com uma ex-colega de trabalho que não vejo a muito tempo, ela casou e se mudou para a Bahia. No sonho, ela vinha a Natal e nos encontrávamos, mas ela estava estranha e discutia comigo, não lembro porquê. Então, fiquei com uma sensação ruim, como se o sonho tivesse mesmo acontecido.
Mas o dia foi bom, teclei com amigas queridas, falei com outra por telefone, encontrei meus sobrinhos, ri bastante com eles. Acho que o sonho, na verdade, foi anunciando o contrário…
