Simplesmente eu

Babélica, apesar do meu eu

Querer bater asas

O meu casco capricorniano

Pede a quentura

E a solidez do solo.

Jamais gostei

de me sentir caça,

pois entre o amor e a dor

prefiro ser caçador.

Ser eu,

ser literalmente dona de mim.

poder amar o erro,

contrariar o natural,

me embriagar mil vezes,

confusa entre minha sensibilidade e emoções,

mais que sejam sólidas e duradouras.

E mesmo no erro,

deixem que eu me perceba,

mil veses me embriagarei,

junto a minha estupidez

se assim entenderes.

Mais dona de minha própria loucura

amante da praticidade

e parceira incondicional das realizações…

De solidão e outros demônios

Hoje, ia caminhando pelo centro da cidade, quando vi um carro bem antigo, acho que era uma belina, toda paramentada, um verdadeiro camelô ambulante, com redes, mantas, etc. Quando vi, parei e comprei um pano de chão. Pronto. Foi só isso para eu ficar me perguntando por que parei ali.

Então, de repente, me veio uma amarga sensação de como a solidão é traiçoeira. Aparece e se manifesta quando menos esperamos. Veja bem, eu até preciso de panos de chão, mas raramente os uso e, definitivamente, não é uma das minhas prioriades adquirir um. Então, porque parei e troquei algumas palavras com aquele homem?

Acho realmente ruim chegar em casa e não ter ninguém me esperando. Talvez, pela primeira vez na vida, me sinta só. Solidão daquelas que dá vontade de ir a um supermercado só para estar perto de gente, sabe? Só para ver se encontra alguém. Mas, calma, ainda não cheguei nesse ponto, rsrsrs.

Enfim, fico pensando agora se o fato de chegar em casa tarde e vir aqui, não seria mais uma forma de tentar aplacar esse imenso vazio… Mas vai passar, eu sei, eu sei…

De Natal

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Agora só faltam os presentes…

Árvore pronta,

Perdas e danos

Hoje lembrei do filme Perdas e Danos. Vi há muitos anos, é com a Juliete Binoche, linda, e o Jeremy Irons. Ela é a noiva do filho de um congressista inglês e se apaixona perdidamente por ele, o pai. A partir daí eles entram num ritmo que não conseguem mais esconder o que sentem até que o filho descobre e acontece uma tragédia.

Mas o que lembrei hoje foi uma cena em que o pai fala que a viu, anos depois, num aeroporto. E ele diz que foi estranho porque ela era apenas mais um rosto na multidão. Lembrei disso porque fiquei pensando em algumas pessoas na nossa vida que vêm e vão. Por algumas, fomos tão apaixonados, sentimos tanta ânsia de encontrar e falar e pegar, e de repente, como num passe de mágica, mas geralmente com muito sofrimento, todo esse sentimento desaparece.

Já outras, e essas são as mais perigosas, nós ficamos anos a fio com um sentimento de inquietude do que poderia ter sido. E um medo irresistível de encontrar em algum lugar a sós . . .

Ardor

Um oceano inteiro não basta
para calar no meu peito
este murmúrio
de tantas formas de ardor
tantas formas de estar banida e só
e não há terra ou chuva
que arrefeça
esta porção de mim
que trago cálida
esta porção de mim
que trago presa
este meu coração cheio de vespas

(acho até de já postei uma vez essa poesia da Iracema Macêdo, mas ela sempre me toca)

Jingle bell, jingle bell

Não quero pensar muito nisso senão fico meio tristonha, mas se não me falha a memória esse ano será a primeira vez na vida que terei uma casa enfeitada para o Natal.

Em criança, minha mãe (porque geralmente os pais não se importam com isso), bom, ela também não ligava a mínima e nunca explicou o significado, nunca tivemos presentes, meias, essas coisas. Tudo bem que lareira é uma coisa ultradistante, quase um extraterrestre aqui na minha cidade… Então, nunca tivemos Natal, no sentido da palavra, apesar de morar numa cidade que se chama, opss, Natal.

Quando saí de casa, aí sim, todo ano nos reunimos e fazemos amigo secreto, tomamos vinho e comemos peru e sempre é muito bom. Mas na minha própria casa nunca coloquei um enfeitinho sequer, por motivos vários e ligados ao meu exx.

Agora, enfim, vou colocar guirlanda na porta, comprar panos de prato temáticos, papais  noéis de plástico e, quem sabe, até ter uma árvore enfeitada com pisca-piscas…

Tons de lilás

E eu que andava tão ensimesmada, achando que nada de bom acontecia, agora vejo que até um ipê roxo existe ao alcance de minha janela.