Arquivo para eu

De solidão e outros demônios

Hoje, ia caminhando pelo centro da cidade, quando vi um carro bem antigo, acho que era uma belina, toda paramentada, um verdadeiro camelô ambulante, com redes, mantas, etc. Quando vi, parei e comprei um pano de chão. Pronto. Foi só isso para eu ficar me perguntando por que parei ali.

Então, de repente, me veio uma amarga sensação de como a solidão é traiçoeira. Aparece e se manifesta quando menos esperamos. Veja bem, eu até preciso de panos de chão, mas raramente os uso e, definitivamente, não é uma das minhas prioriades adquirir um. Então, porque parei e troquei algumas palavras com aquele homem?

Acho realmente ruim chegar em casa e não ter ninguém me esperando. Talvez, pela primeira vez na vida, me sinta só. Solidão daquelas que dá vontade de ir a um supermercado só para estar perto de gente, sabe? Só para ver se encontra alguém. Mas, calma, ainda não cheguei nesse ponto, rsrsrs.

Enfim, fico pensando agora se o fato de chegar em casa tarde e vir aqui, não seria mais uma forma de tentar aplacar esse imenso vazio… Mas vai passar, eu sei, eu sei…

Ardor

Um oceano inteiro não basta
para calar no meu peito
este murmúrio
de tantas formas de ardor
tantas formas de estar banida e só
e não há terra ou chuva
que arrefeça
esta porção de mim
que trago cálida
esta porção de mim
que trago presa
este meu coração cheio de vespas

(acho até de já postei uma vez essa poesia da Iracema Macêdo, mas ela sempre me toca)

Bicho de estimação

Uma amiga sugeriu que eu deveria ter um bicho de estimação, já que eles enaltecem a alma, servem de companhia e enchem de alegria qualquer coração solitário. Mas descobri que tenho um bicho mais precioso ainda para cuidar: eu mesma.

Então, sem conseguir tirar do imaginário as instigantes referências dos contos de fada, resolvi ser minha própria fada madrinha.

Agora vou realizar todos os meus desejos e sonhos nunca antes sequer sonhados. Estou toda sorrisos para mim mesma, me mimo e faço todos os gostos. Ainda bem que sou fácil fácil de agradar, qualquer carinho me embobece.

Sonhando ao contrário

Ontem tive um sonho que me deixou perturbada o dia inteiro. Foi com uma ex-colega de trabalho que não vejo a muito tempo, ela casou e se mudou para a Bahia. No sonho, ela vinha a Natal e nos encontrávamos, mas ela estava estranha e discutia comigo, não lembro porquê. Então, fiquei com uma sensação ruim, como se o sonho tivesse mesmo acontecido.

Mas o dia foi bom, teclei com amigas queridas, falei com outra por telefone, encontrei meus sobrinhos, ri bastante com eles. Acho que o sonho, na verdade, foi anunciando o contrário…

Sem a telinha

Estou igual àqueles ex-fumantes que contam os dias que ficam longe do cigarro: hoje completei o segundo dia sem a televisão. Pois é, de tão velhinha, a coitada queimou de vez e agora estou num quarto andar, sem ter como descer com ela, nem como subir com uma nova. Ai ai, como faz falta um homem nessas horas…

De doenças e outros demônios

Quando estamos sós, temos que passar por momentos bons e ruins, ontem a noite passei por minha primeira provação: fiquei doente. Era tanto frio que não sabia o que fazer. E o pior é que passa tudo pela cabeça: “não tem ninguém aqui para eu pedir um chá”, “eu poderia morrer aqui e só iriam descobrir depois”. Só pensamentos, assim, animadores. Minha vontade era de voltar pra casa do ex, mas me controlei e sobrevivi. Hoje já estou bem melhor.

Comidinhas

Pronto. Já tá ficando quase tudo no lugar. Enfim, comprei a máquina de lavar e, ontem, foi a vez das panelas. Nunca fui afeita a fazer comida, mas agora quero tentar receitas e inventar pratos.