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Simplesmente eu

Babélica, apesar do meu eu

Querer bater asas

O meu casco capricorniano

Pede a quentura

E a solidez do solo.

Jamais gostei

de me sentir caça,

pois entre o amor e a dor

prefiro ser caçador.

Ser eu,

ser literalmente dona de mim.

poder amar o erro,

contrariar o natural,

me embriagar mil vezes,

confusa entre minha sensibilidade e emoções,

mais que sejam sólidas e duradouras.

E mesmo no erro,

deixem que eu me perceba,

mil veses me embriagarei,

junto a minha estupidez

se assim entenderes.

Mais dona de minha própria loucura

amante da praticidade

e parceira incondicional das realizações…

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Criatividade japonesa

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Que tal comprar uma saia que, caso haja a desconfiança de um assalto, você vira a esquina e se transforma em uma máquina de refrigerante? Pois é essa a proposta de uma estilista japonesa, com os crescentes índices de criminalidade no Japão. A pessoa esconde-se por detrás do pano, que é impresso com uma foto de tamanho real de uma máquina de vender refrigerantes.

Mas a criatividade japonesa não fica por ai. Ela desenhou uma versão para crianças, uma mochila que se transforma em um hidrante no estilo japonês, escondendo a criança. Existe também a “bolsa buraco”, que, ao ser desdobrada, parece com uma tampa circular de esgoto. Há também um conjunto de uniformes para estudantes de segundo grau à prova de facadas, feitos com o mesmo material usado no kevlar, e um livro com dicas para mães sobre como vestir até as crianças mais modestas como “pseudo-criminosos”, a fim de assustar aqueles garotos brutos que gostam de intimidar e bater nos mais fracos.

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Ao ler a matéria publicada no UOL, no primeiro momento, minha reação foi rir, mas acho que isso é produto de diferenças culturais profundas. Nos EUA, e até mesmo no Brasil, queremos nos proteger dos criminosos, mas os japoneses preferem ludibriar os assaltantes, é menos arriscado do reagir ao um assalto. O problema é descobrir a hora de tirar a fantasia, ou então, o assaltante ter vontade de tomar um refrigerante, rsrsrs.

O visitante

Ele já foi um grande amor e hoje é apenas um amigo querido. Chegou com chamegos e afagos, falou de política e tomou café. Depois me adicionou no orkut, falou do casamento, do filho e da fase feliz que está passando. Ao final, como sempre, terminamos discutindo a nossa ex-relação, que acabou há uns 10 anos, rsrsrs.

A visita I

Minha primeira visita foi de uma moça muito séria e engraçada, adulta e infantil, sexy e despretensiosa. Já disseram que é monástica, eu já acho que ela é monárquica. Agora, a parede branco neve está pintada com gotinhas do vinho que trouxe.

Janela sobre uma mulher (III)

Ninguém conseguirá matar aquele tempo, ninguém vai conseguir jamais: nem nós. Digo: enquanto você existir, onde quer que esteja, ou enquanto eu existir.
Diz o almanaque que aquele tempo, aquele pequeno tempo, já não existe; mas nesta noite meu corpo nu está transpirando você.

Eduardo Galeano, in As palavras andantes.

Janela sobre uma mulher (II)

A outra chave não gira na porta da rua.
A outra voz, cômica, desafinada, não canta no chuveiro.
No chão do banheiro não há marcas de outros pés molhados
Nenhum cheiro quente vem da cozinha.
Uma maçã meio comida, marcada por outros dentes, começa a apodrecer em cima da mesa.
Um cigarro meio fumado, lagarta de cinza morta, tinge a beira do cinzeiro.
Penso que deveria fazer a barba. Penso que deveria me vestir penso que deveria.
Uma água suja chove dentro de mim.

Eduardo Galeano, in As palavras andantes.

Janela sobre uma mulher (I)

Essa mulher é uma casa secreta.
Em seus cantos, guarda vozes e esconde fantasmas.
Nas noites de inverno, jorra fumaça.
Quem entra nela, dizem, não sai nunca mais.
Eu atravesso o fosso profundo que a rodeia. Nessa casa serei habitado. Nela me espera o vinho que me beberá. Muito suavemente bato na prota, e espero.

Eduardo Galeano, in As palavras andantes.